sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Somos espoliados sem piedade.

No Livro Negro da Psicanálise diz à p. 154: “Quando o paciente entra no sistema freudiano, tudo ganha sentido, tudo se explica. Você esquece seu celular na casa de um novo conhecido? É porque está querendo voltar. Precisa fumar? É tentativa de confrontar a morte por ter medo dela. Essa decifração universal também caracteriza as religiões e outros sistemas não científicos”. O psicanalista Lacan disse (p. 157): “A psicanálise como outras atividades humanas pode incorrer em abuso”. Os adeptos da forma de análise desenvolvida por ele julgam o momento de terminar uma sessão e mesmo o paciente pagando para ser ouvido 50m pode ser interrompido e mandado para casa se o terapeuta julgar que ele já progrediu bem neste dia; e a sessão ter durado 15m.

É um perigo sermos manipulados, abusados em nossa boa-fé, por quem confiamos. Não foi assim ao termos confiado em Lula e no Partido dos Trabalhadores 

para nos guiar quando os tucanos nos deixaram quase falidos?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Vivemos num gueto apertado: o dos homens de bem.

É preciso escolher bem o genro.
- Mas Zé, é a filha da gente que escolhe o cara!
Meus dois genros são homens inteligentes, mas um deles insiste em me converter ao PT me mandando textos inteligentes e pejados de ‘cerca lourenço’. Desta vez foi Como Conversar com um Fascista, de Marcia Angelita Tiburi. Uma bela gaúcha professora de filosofia. 

Ela assim defini: “O conhecimento, que deveria ser um processo de encontro e disposição, sucumbe à sua própria negação. Daí a impressão que temos de que uma personalidade autoritária é, também, burra, pois ela não consegue entender o outro”. Para ela um fascista é um autoritário: “prega a intolerância, que afirma coisas tão estarrecedoras, como ‘quilombolas, índios, gays e lésbicas são tudo o que não presta’, é a destruição do conhecimento, como relação com o outro; o que está na base da democracia”. Um fascista é contra a Democracia. Ora, você meu amigo que vivi pedindo a volta dos militares ao poder desistiu de se abrigar na democracia e quer mais é o autoritarismo, fascismo.
Vê se dá pra concordar com ela? “O fascismo produz opressão de um lado e de outro seduz para a forma autoritária de viver garantindo aos que vivem esvaziados de pensamento que o mundo está bem como está. O fascismo constrói opiniões públicas e mentalidades coletivas, tira a chance de pensar no que estamos fazendo uns com os outros, o que poderia nos garantir uma vida mais prazerosa. O fascismo também colonizou os prazeres pelo estético-moralismo que é o consumismo ao qual foi reduzida a antiga e emancipatória categoria ética da felicidade.  Mas não devemos aderir a isso só porque as coisas se apresentam assim hoje”.

Então, estamos cercados. Os fascistas autoritários são cúmplices dos capitalistas que nos seduzem à uma vida sem ética, sem valores. Ela não disse, mas nos faz pensar que vivemos num gueto que vai se tornando cada dia mais apertado: o dos homens de bem.   

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Há espaço para uma pessoas passear em paz.

“Lawrence da Arábia me garantiu que lá eu teria paz de espírito”.

Iniciei a leitura de Vento do Saara, de Ronald Bodley. Ele nasceu numa família tradicional inglesa, seu avô abriu a primeira livraria em Oxford e seu pai era historiador. Ele se formou em diplomacia, mas preferiu ser jornalista e na primeira Grande Guerra foi ferido três vezes. As atividades do mundo e a vida agitada lhe incomodavam, foi então que seu amigo lhe aconselhou a ir viver no norte do Saara, entre beduínos.
Falando na terceira pessoa, ele conta: “Quando Mister Bodley, ex-oficial dum regimento inglês, ex-aluno de Eton e criador de cavalos decidiu viver com os nômades até causou pilhérias entre os amigos”.
A parte do Saara em que foi viver fica além da fronteira sul de Marrocos, Argélia e Tunísia. Não era o Saara que a gente conhece. “Lá tem altas montanhas e profundos vales que depois das chuvas se transformam em infinita campina coberta de relva e flores. As dunas de areia ocupam apenas um sexto da sua superfície. Quando se viaja por essas terras, mesmo que tudo tenha sido bem organizado, tem-se de virar as costas para habitações humanas, conforto e a preciosa água. Então movimentar-se por ali é sempre acompanhado por uma sensação assustadora de perigo e desvalimento”. Essas são as situações que mais aproximam o homem de seu Criador. 
O inglês cristão se converteu ao islamismo, “eu rezava cinco vezes ao dia, abstinha-me de álcool, observava jejuns e lia devotamente o Alcorão”.

O que ele descreve agora cala profundamente em quem vive num mundo de corrupção e violência e que não faz outra coisa na vida se não pagar contas e se aborrecer: “Para os árabes do deserto o Saara é o Jardim de Alá, donde Deus removeu todo excesso e deixou poucos seres humanos e animais, a fim de que houvesse espaço para uma pessoas passear em paz”.  

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Pede pra voltar, pede.

Tô vendo gente falando que os militares precisam voltar. É gente de 50 anos, quando nasceram os milicos já mandavam no Brasil e cresceram sem ver o que acontecia em volta. Só sabiam cantar a marchinha: Vamos juntos todos, pra frente Brasil, salve a seleção.
Tava lendo agora a pouco Aldir Blanc contando o caso de uma canção que ele fez em 1969 e que foi classificada num festival, mas tudo precisava passar pelos censores. A letra dizia:
“Antes do amor
Tu me olhavas docemente
Minha mão corria ardentemente
Por teu corpo tão perfeito...”
Três censores vetaram a música e letra escrevendo: "Texto para maiores de 18 anos e não pode aparecer na TV”, uma disse: “Bonitos versos, mas é puro erotismo” e outro ‘jogou a pá de cal’: “Vetada por ferir as normas da censura”. Aldir tentou um recurso e escreveu: “Venho respeitosamente solicitar vossa atenção para o fato de que o erotismo está em tudo, mesmo nas propagandas da TV”. Não adiantou nada. 
(esses caras esquecidos se estivessem no lugar dessa garotinha beijavam a mão de Figueiredo)

Então, eu e outros que já éramos grandinhos chamávamos aquela época de ‘anos de chumbo’.

Pede pra voltar, pede. 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Qual será a situação melhor “ser levado” ou “ser deixado”?

Um gato trancado dentro de uma caixa onde um ampola com gás cianeto está prestes a cair, quebrar e matar o bichano. Você está fazendo outras coisas e seu pensamento não consegue se desligar do que está acontecendo dentro da caixa: o gato está vivo ou já está morto?
Estou lendo isto no livro Estranhezas e Mitos da Mecânica Quântica, do professor de Física da UFF, José Augusto O. Huguenin. A situação acima ilustra a Teoria da Incerteza, do físico Werner Heisenberg (p. 38). Só que na ciência que estudam, o estado das partículas subatômicas, há uma superposição de situações: o gato está vivo e está morto. É o que os cientistas chamam de Teoria dos Muitos Mundos, do físico Hugh Everett. Não se refere ao que eu imaginava, planos diferentes, mundos de outras dimensões. Mas é sobre aquilo que nos acontece frequentemente (p. 40): você pode ir por aquele caminho ou por este. Se for por aquele pode lhe acontecer isso ou aquilo, se ficar neste pode suceder uma coisa ou outra. São as oportunidades. (como este momento da foto: podíamos ter voltado pra Rio Claro, ter continuado pra serra do Piloto ou entrado na Várzea, preferimos este caminho).

Voltando ao gato, só se sabe seu estado quando se abre a caixa, do mesmo modo só se pode saber o real estado de uma pessoa quando ela morre ou quando se faz parar o tempo. A grande questão sobre Deus acabar com o mundo é que uma pessoa está ruim agora e amanhã ela pode se tornar boa. Então, quem é inconformado, diz: Se Deus acabar com o mundo está tirando a oportunidade das pessoas. Ele não só acaba com este mundo mas também com os outros mundos que poderiam acontecer.
Jesus, que para mim e outros foi Deus andando conosco, ensinou (Mateus 24:41,42): “Duas mulheres estarão trabalhando num moinho: uma será levada e a outra deixada. Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor”. Essas duas mulheres são uma mesma pessoa – como o gato que pode estar vivo ou/e morto -, vivendo de um modo ou de outro. Então, tudo depende do momento em que Deus “abre a caixa”. Jesus conclui (44): “Assim, também vocês precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam”.

E ainda resta outra questão: qual será a situação melhor “ser levado” ou “ser deixado”?. Oh incerteza!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Quem se casar com uma mulher divorciada comete adultério.

Porque tantos casamentos se dissolvem? O Espírito Santo está revelando alguma coisa sobre os casais que vivem em segunda nupcia? O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, disse: “Há agora uma maior consciência de que é preciso preparar os católicos para assumirem as exigências de unidade, indissolubilidade e fecundidade do Matrimônio. Infelizmente, o que nós verificamos em muitos casamentos sacramentais é que não houve preparação, disposição nem compromisso. A recente alteração promovida pelo Papa, simplificando os processos relativos à declaração de nulidade matrimonial vem ajudar a determinar se as pessoas estavam convictas, preparadas e em condições para assumir o Matrimônio católico. Temos de ter muita atenção à verificação da validade do vínculo”. 
(para suavizar assunto tão árido uma criação do amigo Ney Tecídio - com sua licença, meu mestre) 

Esta é uma ‘brecha’ para tornar o segundo casamento válido perante Deus e eliminar a condição de adultério vivida pelo divorciado que se casou novamente. Afinal, o que vale é o que Deus disse por intermédio de Seu Filho: “Outrossim, foi dito: ‘Quem se divorciar de sua esposa, dê-lhe certificado de divórcio.’ No entanto, eu vos digo que todo aquele que se divorciar de sua esposa, a não ser por causa de fornicação, expõe-na ao adultério, e quem se casar com uma mulher divorciada comete adultério”.
A chave para a Igreja aceitar um novo casamento é: Não houve verdadeiro casamento naquela belíssima e cara cerimônia. Nenhum dos dois, ou pelo menos um, não respondeu com seriedade as perguntas contratuais que lhe foram feitas.

Estou lendo a Encíclica Alegria de Evangelizar, do papa Francisco, e ele diz (§ 69): “No caso das culturas populares de povos católicos, podemos reconhecer algumas fragilidades que precisam ainda de ser curadas pelo Evangelho: o machismo, o alcoolismo, a violência doméstica, uma escassa participação na Eucaristia, crenças fatalistas ou supersticiosas que levam a recorrer à bruxaria”. E há mais todo o egocentrismo de nosso tempo pós-moderno. Isto tudo faz que o voto seja dado sem intenção de cumprir o compromisso. Assim, perante o Criador não houve vínculo matrimonial verdadeiro.

domingo, 1 de novembro de 2015

O número de fundamentalistas está crescendo.

Terminei de ler o livro Jerusalém. 

“Ela é um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento” (p. 644). 
- Mas porquê, Zé? 
“A reconciliação entre o religioso, o nacional e o emocional levou a serem feitos quarenta planos de paz no século XX, e todos falharam”. 
– Ainda não entendi a razão disso. 
“Israel se dispõe a compartilhar a cidade velha, mas os palestinos nunca concordaram formalmente com isso”. Veja só essa situação. O Templo de Salomão depois reconstruído por Herodes foi destruído. Sobre o local os árabes construíram a mesquita de al-Aqsa, local sagrado que um judeu não pode nem chegar perto. 

Ao lado tem a muralha do antigo templo, o Muro das Lamentações, local sagrado para o judeus.

Debaixo da mesquita tem a pedra fundamental do antigo templo. Os arqueólogos israelense fizeram um túnel que passa por baixo do al-Aqsa e perto da pedra fundamental. Então, a superfície é solo sagrado para os árabes e o subsolo o é para o judeus. 
“Simon Peres disse: ‘Jerusalém é mais uma chama do que uma cidade e ninguém consegue dividir uma chama”. Tem mais: “Nova-iorquinos, londrinos e parisienses vivem em sociedades cada vez mais secular e ateísta, mas em Jerusalém o número de crentes abraamicos fundamentalistas – cristãos, judeus e muçulmanos  - está crescendo”. 

sábado, 17 de outubro de 2015

Aprendeu a não ouvir, não ver e está sendo proibida de falar.

Apresentando meu livro ADÃO, FEITO da TERRA à dona de uma empresa de socorro automotivo, depois da minha explicação ela se virou para a secretária, da mesma igreja evangélica dela, porém mais atuante, e perguntou: o que você achou? A senhora respondeu: Não estou de acordo com o que ele disse: “Adão não viveu no princípio do mundo”; ora Deus fez o mundo e no sexto dia fez Adão!
Estou lendo o trabalho de doutorado em Geologia, Plataforma Sul-Americana (p. 5), dos doutores Carlos Schobbenhaus e Benjamim Bley de Brito Neves, que diz: “A Plataforma Sul-Americana tem composição complexa e variada, cuja esquematização atual está retratando história policíclica de seu embasamento, do Paleoarqueano (ca. 3,5 Ga) ao Eo-Ordoviciano (ca. 0,50–0,48 Ga)”.
Você consegue entender a beleza do que está escrito aí? Este imenso triângulo de cabeça pra baixo onde moramos numa beirada perto do mar, é uma peça que foi formada, do jeito que está, durante 3 bilhões de anos (G.a em Geologia é bilhão de anos). E apresenta milhares de cicatrizes causadas por vulcões, terremotos, elevação de terreno, desmoronamento e as grandes separações e aglutinações dos continentes.
“Nela estão registradas litologias, estruturas e outras feições importantes de grandes colagens orogênicas de caráter mundial-potenciais condicionadoras da fusão/aglutinação de supercontinentes – e dos eventos de tafrogênese e fissão subsequentes a todas elas”.
- Ora, uma secretária de uma firma não precisa conhecer Geologia, Zé!

Vivemos num mundo cheio de informações e a televisão nos mostra à toda hora nosso planeta suspenso no vácuo rodando no Sistema Solar. São coisas básicas aprendidas no ensino fundamental e que uma secretária com ensino médio aprendeu com certeza. A menos que – preste atenção há isto – esta pessoa esteja aprendendo a não ouvir, a não ver e sendo proibida de falar, 

por um homem cego que se torna seu guia de cegos. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Aprendemos a difícil arte de fazer amigos.

Pode ser que seja exatamente isso. A depressão e a angustia podem ser causadas pela falta de um amigo. No livro Quando Nietzsche Chorou, o filósofo desabafa (p. 343):
“Um homem profundo precisa de amigos. Se todo o resto falhar sobrarão seus deuses, mas se não tenho amigos nem deuses? Eu, como você, tenho desejos e meu maior desejo é a amizade perfeita, uma amizade interpares, entre iguais. Que palavras inebriantes, interpares, palavras com tanto conforto e esperança para alguém como eu que sempre viveu só, que sempre procurou mas nunca encontrou sua outra metade. Quando encontro pessoas face a face, sinto-me envergonhado e me retraio”.
O que realmente significa procurar um amigo?
“Nas raras ocasiões em que não consegui aguentar a solidão e dei vazão as minhas dúvidas a uma pessoa próxima, odiei-me uma hora depois e me senti um estranho em relação a mim mesmo, como se tivesse perdido minha própria companhia. Também nunca permiti aos outros se desabafarem comigo... eu não estava disposto a assumir a dívida da reciprocidade”.
Não se ganha um amigo desconfiando e se fechando:
“Evitei tudo isso... até o dia em que nos encontramos. Você é a primeira pessoa com quem sempre mantive o rumo. E mesmo com você, de início, esperei traição. No começo fiquei constrangido com você: jamais escutara revelações tão francas. Mais adiante, outra mudança: passei a admirar sua coragem e honestidade. Numa outra mudança, senti-me comovido por sua confiança em mim. Agora, hoje, o pensamento de deixá-lo me enche de melancolia”.


Ah sim, ganhar um amizade franca nos faz correr o risco de perde-la e sentir muito sua falta. Mas aí o caminho já está aberto. Aprendemos a difícil arte de fazer amigos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Limusines com o governador e sua amante.

Na minha idade já se viu de tudo, especialmente a roubalheira dos políticos. Mas nunca na história as pessoas foram tão velhacas. Porém, uma coisa é certa, na grande maioria das vezes nossos governantes não se importam nem um pouco conosco. No livro Jerusalém – que parece nunca vou terminar de ler – me impressionei com esta descrição sobre 1918 (p. 509): “Ahmet Kemal, um dos três paxás que dirigiam o Império Otomano (turco), governador do Egito e da Palestina, seus oficiais e ministros desfrutavam de uma vida de prazer febril enquanto Jerusalém lutava para sobreviver às calamidades da 1ª Grande Guerra. A miséria era tal que muitas das jovens viúvas de guerra (os maridos soldados morreram guerreando) se tornavam prostitutas percorrendo a Cidade Velha se trocando por qualquer quantia. Homens velhos com seus corpos cheios de chagas e sujeira viviam inchados de fome”. Isso o povo, mas os governantes, que diferença! “O notáveis de Jerusalém viviam bebendo e farreando. Certa noite um comboio de quatro limusines com o governador e sua amante, vários políticos otomanos e figurões acompanhados de prostitutas, deixaram a cidade e rumaram para Belém. Foi um evento delicioso para todos, mesmo durante o difícil período em que a guerra e a fome faziam as pessoas sofrer. Todos tomaram vinho e comeram sem parar, as damas lindas cantavam em coro”. [para não dizer que não falei de flores: Borboletas, de Ney Tecídio]


Então, por favor, tenhamos juízo e não acreditemos nunca nas promessas dos políticos, mas vamos ‘botar a boca no mundo’ quando eles fizerem suas lambanças com o nosso dinheiro. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

E depois chegaram os árabes.

Como foi que Jerusalém se tornou a cidade centro do Cristianismo?
O livro Jerusalém (p. 195) fala do que aconteceu 280 anos depois de Jesus ter sido torturado e morto neste lugar: “Em 312 Constantino invadiu a Itália, venceu seu rival e se tornou césar em Roma. Constantino era um soldado rude que usava cabelos até os ombros, ostentava braceletes e o manto cravejado de joias. Apreciava muito os debates entre filósofos e bispos cristãos e era apaixonado por realizar projetos de grande beleza arquitetônica. Adotou o cristianismo e visualizava o império unificado por esta religião. E adorava sua mãe, Helena.”
O cristianismo que começou em Jerusalém tinha ganhado o mundo e o centro das decisões e o bispo principal agora estava em Roma. O que fez a atenção de Constantino se voltar para a cidade onde Jesus morreu?
“Helena, imperatriz septuagenária, ganhou carta branca do filho para embelezar a cidade onde Jesus foi sacrificado. Helena estava determinada a encontrar o sepultura de Jesus. Descobriu que ela estava debaixo do templo de Adriano, dedicado a deusa Afrodite. Tudo foi removido e encontrada a caverna que foi declarada a sepultura de Jesus. Sobre ela edificou um conjunto de quatro prédios que foi a igreja do Santo Sepulcro. Procurou e descobriu, também, o que seria a cruz de Cristo. E no Monte das Oliveira edificou a igreja da Ascensão”.


Jerusalém deixou de ser só a principal cidade dos judeus, mas se tornou o centro da atenção dos cristãos no mundo todo. E depois ainda chegaram os árabes.  

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Reduz-nos apenas a uma das nossas necessidades: o consumo.

Quando de todos os lados lemos e ouvimos críticas ao Capitalismo, encontro em dois homens fortes argumentos de que uma mudança precisa ser feita se queremos que a raça humana continue existindo.
Proudhon (1809-1865), em Pensamento sobre Educação, de Luiza Guimarães (p. 86): “Um governo é um sistema de garantias que deve assegurar a cada indivíduo a instrução, o trabalho, a livre disposição de suas faculdades, o exercício de sua aptidão, o gozo de suas conquistas; assegurará igualmente a todos: ordem, justiça, paz moderação do poder, fidelidade dos funcionários e a dedicação de todos às coisas públicas”.
(para alegrar assunto árido, uma pintura de meu amigo Ney Tecídio, que prefiro chamar Borboletas)


Papa Francisco, na encíclica Alegria de Evangelizar (p. 31): “Uma das causas desta situação [um mundo sem ordem, justiça e paz e cheio de corrupção] está na relação estabelecida com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e sobre as nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. Criamos novos ídolos,  uma nova e cruel versão no fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano. A crise mundial, que acomete as finanças e a economia, põe a descoberto, sobretudo, a grave carência de uma orientação antropológica que reduz o ser humano apenas a uma das suas necessidades: o consumo”. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Breve, é possível que eu esteja em Jerusalém.

Agorinha mesmo estava ouvindo palavras que homens e mulheres têm escutado há mais de 2.000 anos:
“Junto aos rios da Babilônia sentamo-nos a chorar, com saudade de Sião. Nos salgueiros que lá existiam, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam para entoar belas canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, exclamando: ‘Entoai-nos algum dos cânticos de Sião!’ Como, porém, haveríamos de cantar as canções do Eterno numa terra estranha? Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se paralise minha mão direita! Pegue-se minha língua ao céu da boca, se não me recordar de ti, Jerusalém”.

Desde 1775 um garoto de cinco anos, sentado numa igreja na França, ouvia vez por outra a leitura deste Salmo, o 137. E a palavra Jerusalém ficou impressa em seus neurônios, como está nos nossos. Esse menino chamava-se Napoleão. Quando ganhou poder político e militar marchou para a Cidade Santa. O livro Jerusalém, diz (p. 398): “Em 19/05/1798, Napoleão Bonaparte, com 28 anos, magro e pálido, cabelo comprido e liso, partiu com 335 navios, 35.000 soldados e 167 cientistas para conquistar o Egito. Numa carta ele descreveu seus pensamentos íntimos: ‘Eu me vi marchando a caminho da Ásia montado num elefante, turbante na cabeça. Quando lerdes esta carta, é possível que eu esteja sobre as ruínas do Templo de Salomão, em Jerusalém'. Em 21/05/1799, com 1.200 soldados mortos e outros 2.300 feridos deixados em Jaffa, Napoleão conduziu a retirada rumo ao Egito”. 

Ele nunca pisou em Jerusalém.

sábado, 26 de setembro de 2015

O que eu posso fazer?

Estou lendo a encíclica de Francisco, Alegria de Evangelizar, neste trecho ele nos chama pra fazer alguma coisa:
“Assim como o mandamento não matar põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência o ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do descartável. Já não se trata simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são explorados, mas resíduos, sobras”.


O que eu posso fazer?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

É teoria do PT: ao partido deve pertencer qualquer propriedade.

Lembra-se do tempo em que Luís Inácio Lula da Silva disputava eleições sem ganhar? O que fazia seus pais não confiarem nele, lembra?
Estou lendo Proudhon, Pensamentos sobre Educação e nele me acudiu o temor que o Partido dos Trabalhadores causava aos brasileiros (p. 94): “É a propriedade que se encontra no fundo de todas as teorias dos comunistas, a de que a comuna deve ser a verdadeira proprietária de não apenas dos bens, mas também das pessoas; que a obediência passiva, inconciliável com uma vontade reflexiva, é rigorosamente prescrita e todas as faculdades do homem são propriedade do Estado”.
Percebeu porquê logo que tomaram o poder e sabendo das maracutais dos partidos liberais em todos os órgãos públicos - Correios, Petrobrás – organizou-as de tal modo que se tornaram ENORMES ROUBOS aos cofres públicos? Porque a filosofia na base deste partido é de que tudo pertence ao “governo”, aqui querendo dizer “aos que governam”. Eles não têm respeito algum a propriedade dos outros. Assim, o PT fez o maior “arrastão da história desse país”.
(pra não dizer q só falo de tristeza, aí está uma beleza criada por meu amigo Ney Tecídio, Primavera)


Proudhon chamou atenção para outro princípio torto dos petistas: “Que o forte deve fazer a tarefa do fraco – fazem desse dever de humanidade uma obrigatoriedade - e que o diligente deve fazer tudo para o preguiçoso – embora isso seja injusto”. Nem preciso dizer em que deu isto!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Enche-me de vida reler este texto.

O grande risco do mundo atual, com a sua múltipla e avassaladora oferta
de consumo, é uma tristeza que brota do coração que busca prazeres superficiais. Quando a vida interior se fecha deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas e sem vida”.
Essa constatação está na exortação apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco. Que acrescenta: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de o procurar dia a dia sem cessar”.
Mas quem é Jesus Cristo? Um carpinteiro judeu ignorante que sonhava coisas lindas, um filósofo instruído em comunidades de essênios ou o mais improvável, o Criador do Universo que veio nos visitar e ensinar?
Francisco, como um homem escolhido, diz: “O convite mais tocante talvez seja o do profeta Sofonias, que nos mostra o próprio Deus como um centro irradiante de festa e de alegria, que quer comunicar ao seu povo este júbilo salvífico. Enche-me de vida reler este texto: ‘O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso salvador! Ele exulta de alegria por tua causa e pelo Seu amor te renovará. Ele dança e grita de alegria por tua causa (3,17)’. 


Ainda resta um pouco de fé em ti?

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Vamos parar de "reproduzir distinção de classes".

A professora Luiza Paschoeto publicou sua tese de doutorado como livro, Proudhon: Pensamentos sobre Educação. Nele estou aprendendo muito sobre este filósofo anarquista.
(na foto Luiza é a morena)

Na p. 41, li: “A família de Proudhon perdeu seu campo em decorrência de uma hipoteca. Proudhon viu-se obrigado a deixar o colégio”. Tinha 17 anos. Primeiro princípio: com certeza as dificuldades na vida servem para moldar caráteres fortes. 
Daí foi trabalhar “como revisor de publicações teológicas... e adquiriu gosto pelo estudo da Bíblia”. Este é um ponto que gosto de frisar porque também aconteceu comigo. O conhecimento bíblico longe de ‘emburrecer’ nos acrescenta humanidades, noções de justiça e respeito. 
Outra coisa, fico realmente triste quando vejo um trabalhador sem um livro na mão numa hora de folga. Enquanto trabalhava “Proudhon aperfeiçoou o seu latim [aprendia-se noções básicas na escola] e aprendeu hebraico para estudar o Velho Testamento na língua original. Adquiriu gosto pelos estudos de gramática e teologia antes de dedicar-se aos estudos de filosofia e política”.

Neste livro, Luiza mostra a influência boa que este pensador pode dar à educação. Ainda estou no meio do livro, mas estas 3 experiências acho que são básicas para transformar alunos em trabalhadores que pensam e têm princípios de vida sólidos (p. 23): “Separar o ensino da aprendizagem e distinguir educação profissional do exercitar-se para o cotidiano é reproduzir a distinção de classes”. Palavras de Proudhon.     

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Destruída para o resto da eternidade.

“Um grande buraco negro girando, pode ser uma passagem para outro universo. Mas se você for não pode voltar”, disse Hawking.

- Zé, vai querer discutir Física? É melhor ficar na tua História.
Todas as ciências, conhecimentos, se conectam. Vejo na explicação de Stephen uma analogia com a crença religiosa, que também é um conhecimento, o revelado.
“A nova teoria sobre a informação e os buracos negros, parece indicar que se uma pessoa for engolida por esse objeto, há duas maneiras como esta terrível situação poderia terminar: ela poderia ficar permanentemente presa em um holograma na borda do buraco negro, ou poderia atravessá-lo para outro universo”.
A informação a que ele se refere são todas as situações vividas e impressas em cada átomo, ou mesmo numa partícula dele.
- Dá pra explicar, Zé?
Um átomo que já foi parte de um fio de cabelo seu, agora pode estar numa planta. O fio se degradou, ficou no solo, em algum elemento, e foi parar dentro de uma planta. Todas estas informações estão gravadas neste átomo.
Um estudioso disse: “Um dos mistérios mais inquietantes da física é o ‘paradoxo da informação’. Segundo a teoria da relatividade geral de Einstein, as informações físicas arquivadas no material engolido por um buraco negro são destruídas, mas as leis da mecânica quântica estipulam que a informação é eterna”.
Ora a nova teoria de Hawking é a mesma que a religião cristã e as religiões antigas do ser humano revelaram: você pode ficar preso na beira do buraco negro ou atravessá-lo para um outro lugar.
- Zé, e a gente achava que Deus não podia ter feito um inferno que nos retém para sempre porque Ele é bonzinho!
Estão aí os buracos negros que fazem o que Jesus, que veio nos mostrar como Deus Pai pensa, nos ensinou: Os cordeiros para a vida eterna e os cabritos para a perdição eterna.
Falta os físicos descobrirem por que parâmetros uma informação é usada como “boa” e outra é retida como “má”.
Conclui Hawking: Pessoalmente, acho que essas opções [ser levada ou retida] são melhores do que a anteriormente prevista, a de que só nos aguardava uma espaguetificação, ou seja, o alongamento vertical e a compressão horizontal dos objetos até toda sua integridade física ser destruída para o resto da eternidade”.

- Zé, é melhor a gente ficar só estudando História! 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Se há governo, sou contra

Uma nova amiga, Luiza Angélica Paschoeto lança seu livro no Simpósio de Educação na FERP de hoje até dia 17/09. Adquiri seu livro sobre um homem que me causou grande impressão, Pierre-Joseph Proudhon. Houve uma correspondência entre ele, do século XIX, e eu do século XX. Somos ambos anarquistas - e como disse a mulher de Jorge Amado: Graças a Deus.

As contestações de Proudhon foram mais na área do trabalhador, e como a professora Luiza diz em seu livro, Pensamentos sobre Educação, (p. 12): "Para ele a tão esperada transição [revolução na vida do trabalhador] não poderia prescindir de um sólido projeto pedagógico". Diferente dos comunistas [que tentaram se apropriar de sua filosofia] ele presava a família: "Prescrevia para o ambiente doméstico papel de relevo... sem a ascendência do Estado, a criança tomaria contato com as primeiras letras". Para Proudhon, como para mim, 'Se há governo, sou contra'. 
Ele escreveu em 1851 o que estamos vendo hoje: "Sociedade e Governo não podem mais viver juntos, as condições de um sendo subjugar o outro". Veja o PT, em seu projeto de tornar esse partido uma necessidade para o povo criou a aventura do PAC, querendo se fazer presente ao mesmo tempo em cada canto do país. Então empenharam até as cuecas, as nossas. Agora se volta para o trabalhador e diz: você tem de pagar a conta pela burrada que fiz. E tome imposto na cacunda.
No ano seguinte, Proudhon escreveu (p. 16): "a única relação que existe entre governo e o trabalhador é que ao se organizar toma para si a missão de abolir o governo".
Meu anarquismo é mais do tipo 'não sou maria-que-vai-com-as-outras', detesto ser 'vaquinha-de-presépio'. 

O paradoxal, é que em nosso tempo pós-moderno a sociedade se tornou anarquizada e o anarquista, 'nadando contra a corrente', é o bom moço que não segue a manada enlouquecida.

sábado, 12 de setembro de 2015

Assim sempre foi, multidões partem em migração.

Durante toda Idade Média os jovens príncipes, tanto no Ocidente quanto no Oriente, aprendiam da Bíblia ou do Corão a sonhar com o título de Rei de Jerusalém. Agora mesmo aprendi que um desses foi Fernando, o rei de Aragão. O livro Jerusalém, diz (p. 377): “Junto com sua esposa Isabel de Castela, conquistara o último principado islâmico na Península Ibérica, Granada. Irradiando confiança após esse triunfo tomaram duas decisões que teriam consequências para a História Mundial. A primeira foi a convocação de um marinheiro de cabelos brancos, um sonhador chamado Cristóvão Colombo. Em abril de 1942 nomearam-no almirante do Mar Oceano”.
O próprio navegador contou como os convenceu: “Eu declarei para Suas Altezas que tudo o que fosse ganho nessa viagem deveria ser gasto na conquista de Jerusalém. Suas Altezas riram e disseram que a ideia lhes agradava”.

O círculo de amigos do qual se cercava devem ter revelado à Colombo o sonho de Fernando: liderar uma cruzada pelo norte da África até a Cidade Santa, toma-la e se proclamar rei de Jerusalém.
- Zé, você falou em duas decisões.

A outra foi a de expulsar os judeus da nova nação, Espanha. Houve uma grande migração para a Palestina. “No mais duro evento judaico desde a destruição do Templo pelos romanos, os judeus sefarditas (oriundos da Europa mediterrânea) chegaram a Terra Santa com muitas mortes pelo caminho. Mas foram bem recebidos pelo sultão Suleiman que via nos judeus uma maneira de impulsionar a economia do seu império”. 
Assim sempre foi, como um imenso rebanho multidões são expulsas de sua terra e partem em migração para novos destinos.  

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Consegue manter um comportamento ético?

Ah, como nossa convivência com o pai é marcante!
(mais uma pintura linda de meu amigo carioca Ney Tecídio)

O livro Quando Nietzsche Chorou, fala sobre esse assunto (p. 297):
“- Talvez os julgamentos de meu pai me oprimissem mais do que eu percebia. Mas na maior
parte do tempo, sinto muita falta dele.
- Sente falta de quê?
Breuer evocou a figura de seu pai e contemplou as lembranças que desfilaram ante seus olhos. O velho homem, provando a sopa de batatas. O sorriso dele sentado na igreja.
Sua recusa em deixar o filho voltar atrás de um lance no xadrez: "Josef, não posso
me permitir ensinar-lhe maus hábitos." Sua profunda voz de barítono, que
preenchia a casa.
- Acima de tudo, acho que sinto falta de sua atenção. Ele sempre foi minha principal plateia. Eu não deixava de lhe contar meus sucessos. Mesmo depois de morrer imagino-o espiando por cima de meus ombros, observando e aprovando minhas realizações. Quanto mais sua imagem se desvanece, mais luto contra o sentimento de que meus sucessos não têm significado real.
- Está dizendo, Josef, que se seus sucessos só possuiriam significado se fossem registrados na mente de seu pai?
- Sei que é irracional. Parece muito com o som de uma árvore que cai numa floresta. Aquilo que não observamos terá algum significado pra nós?
A pessoa que foi muito ligada ao pai jamais o esquece e diante de um decisão corrompida, pensa: o que velho acharia disso? Mas e aquele que nunca teve um pai atento as suas realizações? Consegue manter um comportamento ético? 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A Igreja o declarou o Anticristo

A cultura de um povo é a memória de seus feitos e inclui cultos religiosos, festas, músicas, confronto com outros povos e maus tratos. Lendo o livro Jerusalém, uma Biografia, de Simon Sebag juntei uma informação a outra que já possuía. 
Frederico II, imperador do Sacro Império Romano (p. 342) “era um cristão convencional e como herdeiro de uma dinastia que vinha de Carlos Magno decidiu que tinha obrigação de libertar Jerusalém. Ele esperava conquistá-la explorando as rivalidades entre os filhos de Saladino. Marchou com suas tropas pela costa de Jaffa e chegou a Jerusalém. Em 11/02/1229 ele conseguiu o insonhável. Kamil, rei de Jerusalém cedeu a cidade sem lutar, oferecendo um acordo: a cidade e um corredor inviolável até Belém [os pontos mais visitados pelos peregrinos], mas os muçulmanos ficariam com o Monte do Templo [onde agora existia a grande mesquita] e a liberdade de ali os devotos do Islam fazerem suas orações. O tratado foi assinado e Frederico recebeu as chaves da Cidade Santa. Mas os dois mundos ficaram horrorizados e o papa o excomungou e o proibiu de permanecer em Jerusalém. Enquanto as mensagens iam de um lado para o outro o imperador mandou rezar uma missa na igreja do Santo Sepulcro e diante de seus soldados alemães fez o seguinte gesto: colou a coroa imperial sobre o altar e em seguida a colocou na cabeça. E disse e depois repetiu numa carta à Henrique III: 'Sendo imperador católico, usamos a coroa que Deus Todo-Poderoso nos ofereceu desde o trono de Sua Majestade, por Sua Graça especial'. A Igreja o declarou o Anticristo, enquanto os alemães o admiravam por sua tolerância e, muito depois, os nazistas o chamavam de o super-homem de Nietzsche”.


Passou-se 250 anos e a relação entre a Igreja e o Estado alemão foi só se deteriorando. Quando o padre Lutero acusou a Igreja de falibilidade e apresentou uma nova religião os nobres alemães receberam-na como uma forma de terminar com os laços que os prendiam a Roma. 
Isso é um aviso da História, de que temos de estar vigilantes para não plantar uma discórdia com alguém, os resultados podem ser perigosos. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Que terrível jamais ter reivindicado a liberdade.

Estou lendo Quando Nietzsche Chorou, e este trecho me impressionou. Passo para você. Quem está ensinando é Nietzsche que aconselha um médico de meia idade.  
"- Você escolheu sua vida? Ou foi ela que escolheu você?  Você não lamenta a vida que nunca viveu?
- Não, não vivi a vida que queria! Vivi a vida atribuída a mim. Eu, o verdadeiro eu, fui encaixado em minha vida.
- Estou convencido que a principal fonte de sua angústia, aquela pressão precordial... é porque você está explodindo de vida não vivida. O tique-taque de seu coração marca o tempo que se esvai. E que terrível encarar a morte sem jamais ter reivindicado a liberdade, mesmo em todo o seu perigo!
- Mas como posso ser livre? Tenho família, empregados, pacientes, alunos. É tarde demais! Não poderei mudar minha vida: está entremeada demais de outras vidas.
Fez-se um longo silêncio.
- Mas só sei que do jeito que está não pode ficar. Não consigo dormir e não aguento mais a dor desta pressão em meu tórax.

- Amigo, não posso ensinar como viver de forma diferente pois, se o fizesse, você continuaria vivendo o projeto de outrem e não o seu. Mas há algo que posso fazer. Posso lhe dar um presente, meu mais poderoso pensamento. Imagine se alguém dissesse para você que esta vida, conforme a vive agora, já a viveu no passado e terá que ser vivida novamente e inumeráveis outras vezes; ela não terá nada de novo, mas cada dor e cada alegria e tudo de inefavelmente pequeno ou grande em sua vida retornará para você".
Nietzsche não está falando da reencarnação espírita, essa teoria dele chama-se O Eterno Retorno. É uma maneira forte de nos fazer pensar que precisamos tentar caminhos novos em nossa vida e não ficar engessado.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Eles chegaram bem a tempo.

“Contava coisas extraordinárias que se passaram nas ruas de Paris: ‘Vi os marroquinos com seus passos de atleta, os esquadrões de soldados da cavalaria turca cobertos com capas vermelhas, atiradores da Mauritânia com turbantes amarelos, senegaleses de rosto negro e barretes vermelhos e artilheiros das colônias da África, caçadores com seu perfil enérgico. Este longo desfile de tropas atravessava a capital em direção a Gare del’Est. Eles chegaram bem a tempo de atacar von Kluck às margens do Marne, ameaça-lo de cerco e obriga-lo a fugir’”.
Uma descrição da 1ª Guerra Mundial no livro Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, do romancista argentino Blasco-Ibañes. É bom existir
 registros do que aconteceu, porque agora, quando vemos africanos, sírios e outros buscando refúgio na Europa, podemos tomar uma posição melhor diante de declarações como a do premier eslovaco no artigo de O Globo, O Maior Desafio de Merkel: “Rejeitamos com veemência qualquer sistema de cotas. Se este mecanismo automático for adotado acordaremos um dia com cem mil árabes aqui, e esse é um problema que não queremos para a Eslováquia”.


Eles puderam vir de suas terras para ajudar a manter a Europa livre de um governo ditatorial, mas não são bem vindos para morar ali. 



















sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A cavalgada no meio da noite.

Seiscentos anos depois da crucificação de Jesus, um jovem bonito, de cabelo e barba ondulados, inteligente e tido com um homem íntegro, diz à todos, em Meca, que tem tido visões do arcanjo Gabriel. Este lhe revela ter Deus o escolhido como mensageiro. O grosso livro Jerusalém, diz (p. 228): “Naquela rude sociedade onde todos os meninos portavam armas e cada homem era um lutador, a tradição literária não era escrita, mas consistia numa rica poesia que celebrava os feitos de guerreiros honrados e amantes apaixonados. Maomé pregava o Islã (que significa submissão) ao único Deus, a busca de uma vida de virtudes e a defesa dos valores de igualdade e justiça”.
Surgia uma nova religião onde a devoção ao Criador e o ajoelhar em oração diversas vezes ao dia eram obrigatórios. Seus rituais tomavam emprestados práticas da religião judaica e da católica. Seu festival do Ramadã lembra em tudo a Quaresma. Mas havia ali um perigo explosivo, a Jihad, a guerra santa.
“O Alcorão enfatiza o Jihad pessoal, a luta do crente para ter domínio sobre si mesmo, e a luta contra os infiéis, os que não seguem as instruções de Maomé. Eles devem ser convertidos e se submetendo devem ser tolerados, mas se resistirem, então devem ser mortos”.

Após a morte de Maomé, como acontece com todos os cultos, o Islamismo sofreu uma divisão. Os que seguiram seu sogro Abu Bakr tornaram-se sunitas, quem seguiu sua filha Fátima e seu marido tornaram-se xiitas. Seu lugar de adoração é a Caaba, a pedra sagrada em Meca. Mas uma noite Maomé teve uma visão em que saia cavalgando num cavalo voador até o “Santuário mais Distante”,

o que os muçulmanos interpretaram como Jerusalém. Desde então, árabes, judeus e cristãos lutam para ficar na cidade santa. Mil e quatrocentos anos depois a paz do mundo ainda não foi possível por causa dessas crenças. 







domingo, 2 de agosto de 2015

Sua lógica é simples: a pilhagem.

Conversava com Roberta, na UFF, quando ela recebeu um telefonema e, atoa, peguei seu livro de um curso avançado, Gestão Pública. 

O texto ensina uma atitude para o servidor público bem diferente do que praticam.

Comentei: Toda pessoa que passasse num concurso público ou quem recebesse um cargo de confiança precisava ler isso. Ela retrucou: Só os que vão servir no Financeiro de alçada Federal precisam ter este curso; daí dá que no que vemos.
Li um artigo de Gustavo Franco em O Globo onde ele começa dizendo: “Seria de uma pretensão sem tamanho imaginar que o Brasil inventou a malversação. Sim, não se pode perder de vista que estamos diante de uma epidemia global de corrupção”.
Daí o professor me ensinou: “A referência ao cronismo, e mais ainda a um capitalismo crony, é bem recente e está se tornando de ampla utilização na literatura econômica e sociológica”.
- O que é cronismo, Zé?
“Tornou-se uma gíria para designar amigos, afilhados, capangas, comparsas, apaniguados, membros de uma quadrilha ou irmãos no crime; é alguma forma de favoritismo, arbitrariedade ou corrupção”. Começou mais descaradamente com os ‘Tigres asiáticos’, países da Ásia que se tornaram grandes exportadores de produtos de baixa qualidade. “E que retroagiram por adotarem políticas protecionistas e amistosas demais a grandes grupos nacionais familiares”. Na Rússia e na China isto também aconteceu, mas com uma variante: “os velhos aparelhos repressivos se privatizaram em relações nebulosas com o governo formando uma espécie de capitalismo mais selvagem que os do Ocidente”. No Brasil “houve uma hegemonia do cronismo sobre o Estado, a ponto de estabelecer as agendas de políticas públicas e os andamentos da economia. Pior, esse capitalismo de quadrilhas, comparsas ou companheiros, assume variadas vestimentas ideológicas, mas sua lógica é simples: a pilhagem”.

Enfatiza o professor Gustavo, que “capitalismo funciona, mas deve enfatizar a democracia e a horizontalidade, enquanto o cronismo procura sempre a seletividade e a arbitrariedade”.

















quarta-feira, 29 de julho de 2015

As duas novelas da Globo nos dão uma pista preocupante.

A História revela um dado interessante: cada geração vive uma situação. O estranho é que como as camadas de bolo uma dada geração, em todas as partes do mundo, vive a mesma experiência. Generalização fala muito e não diz nada, então vamos as fatos. Numa mesma página de O Globo tem uma entrevista com um escritor de Moçambique e uma reportagem sobre o Panamá, ambas falam de algo que também aconteceu por aqui.

Falando sobre a década de 1960, em Moçambique, o escritor Mia Couto, diz: “A guerra civil e a instabilidade militar e política foram associadas a uma grande violência. O país esteve paralisado durante 16 anos”.  No Panamá: “Manuel Noriega pediu desculpas por danos cometidos pelos regimes miliares que comandaram o país a partir dos anos 60: 'Peço perdão a toda pessoa que se sinta prejudicada ou ofendida por minhas ações ou dos meus subalternos”. Nessa mesma época o Brasil teve a Ditadura Militar que provocou a morte de tanta gente. E assim foi em muitos países: A dècada de 1960 foi a geração dos golpes militares.
E neste século XXI, em Moçambique: “A corrupção é parte da política. Querem nos convencer que é um processo natural, que a corrupção faz parte do sistema, é uma dieta da qual não se pode fugir”. Sobre o pedido de desculpa de Noriega, no Panamá: “É uma farsa, é parte da corrupção que aflige o país”. E no Brasil? Este é o século da roubalheira desenfreada. A corrupção está tão endêmica que quase leva o país a falência. Então esta geração é da falta total de valores éticos.

Como será o modo de vida na próxima geração, a dos meus netos? As duas novelas da Globo, das 21h e das 23h, nos dão uma pista preocupante.  























quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um futuro tenebroso. Mas também pode ser muito bom.

A História nos dá certo alento, ou conforto. Muita coisa ruim está acontecendo. Então em nossa experiência de 30 ou 70 anos achamos que só vai piorar. Mas pode ser diferente.
No livro A Canção da Espada, de Bernard Cornwell, o personagem é um saxão e neste trecho (p. 151) ele anda pela Londres de 878 que fora construída pelos romanos a partir do ano 40 e.c. Em sua época os habitantes da Inglaterra construíam casas e palácios com paredes de barro e cobertos de sapé. Por isso ele se admira das antigas construções:

“Nossos passos ecoavam nas casas altas que tinham pelo menos três andares. Algumas possuíam um belo trabalho em pedra e pensei em como o mundo já fora cheio desse tipo de habitação. Lembro-me da primeira vez que subi uma escadaria romana, de como a sensação era estranha. Agora o mundo era esterco, palha e madeira estragada pela umidade. O mundo inteiro apodrecia enquanto escorregávamos da luz para a escuridão, chegando cada vez mais perto do caos negro em que tudo terminaria”.

Mas ele estava errado, é só andar por Londres de hoje. E nós que presenciamos a violência, a corrupção e o liberalismo com os costumes, vemos para diante um futuro tenebroso. Mas também pode ser muito bom. A História nos dá essa esperança.   
























sábado, 11 de julho de 2015

Fiquei chocado.

“Quando ficava zangado fechava os olhos com os dedos, como se estivesse numa profunda meditação, depois dizia: muito bem garota, muito bem. Eu já sabia o que estava por vir”.
São palavras da personagem Madaline, no livro O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hosseini (p. 253). Um relato íntimo e a opinião de uma mulher que escolheu caras errados.
“Depois, conheci outros homens como ele. Gostaria de não ter conhecido, mas conheci. Aprendi que basta ‘cavar um pouco’ e eles se mostram todos iguais. Alguns são mais educados, podem ter um pouco de charme – ou muito – e enganar a gente. Mas são todos garotos infelizes chafurdando na própria raiva”.
Vivo há tantos anos com Lili e, pelo que ela me fala, também eu, sob a capa de homem liberal e compreensivo dorme um transformador de mulheres. O homem escolhe a mulher pelo que ela é, mais o que idealiza, e na convivência ele tenta por todos os meios transmuda-la em outra.

"Eles se sentem enganados. Creem que não tiveram a parte que mereciam nessa vida. Que ninguém os amou bastante. Claro que deseja que a gente os ame. Querem ser abraçados, ninados e tranquilizados. Mas é um erro conceder-lhes isso. Porque eles não conseguem aceitar. Não conseguem aceitar exatamente aquilo de que precisam. E acabam odiando você por isso. O ódio desses homens não tem fim, porque não tem limite, nunca terminam: a infelicidade, os pedidos de desculpa, as promessas, as negações, toda essa nojeira”.
Fiquei chocado.


















Fiquei chocado.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Despiu a mulher diante de todos nós.

“- Você se orgulha do que escreveu?
 - Acho que responderia afirmativo se ao menos conseguisse distanciar meu trabalho do próprio processo criativo”.
Diálogo entre um repórter e uma poetisa no livro O Silêncio das Montanhas (p.184), de Khaled Hosseini. Ela continua e tenta explicar o que disse:
“- Eu vejo o processo criativo como um empreendimento necessariamente desonesto. Aprofunde-se num lindo texto escrito e vai encontrar todos os tipos de desonra. Criar significa vandalizar a vida de outras pessoas, transformando-as em participantes involuntários e inconscientes. Nós roubamos desejos alheios, seus sonhos e embolsamos seus defeitos. Pegamos o que não nos pertence. E fazemos isso conscientemente”.
Em meu livro Adão, Feito da Terra exploro na primeira pessoa (como se fosse eu) a angústia do jovem professor de arqueologia quando um caso amoroso com uma aluna é tornado público de uma maneira devastadora. Aposso-me de seu estado down, esmiúço-o.
A poetisa Nila é bem franca: “Eu fazia isso não pelo amor a alguma grandiosa noção de arte, mas porque não tinha escolha. A compulsão era forte demais. Se não me rendesse a ela, eu perderia o juízo. E você me pergunta se sinto orgulho do que escrevi!”
(a orquídea aqui de casa nos galhos da pitangueira)

Veja esse soneto de Vinícius de Moraes:

Soneto de Devoção

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez… — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Que lindo, não é? E não despiu perante todos nós essa mulher?!    

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Falta-nos uma voz que nos faça dar meia-volta.

“A Bíblia é a Jerusalém portátil dos judeus”.
Estou lendo o robusto livro Jerusalém, de Simon Sibag

e nesta mesma p. 36, diz: “As religiões começam com um centelha revelada a um profeta”. Na p. 52, diz: “Profetas não eram adivinhos dos futuro, mas argutos analistas da situação presente. A palavra grega propheteia significa “interpretação da vontade de Deus”. A p. 68, fala do profeta Isaias: “Ele moldou o judaísmo e o cristianismo. Jesus estudou o livro de Isaias e seus ensinamentos: a destruição de Jerusalém e uma nova cidade espiritual”. Após sua ascensão os cristãos lembravam o que Jesus falou e ensinou e vários documentos foram escritos sobre isso. No evangelho de Lucas (21:20-24), conta que ele anteviu isso: “Quando vocês virem Jerusalém cercada por exércitos, fiquem sabendo que logo será destruída... Como serão horríveis aqueles dias para as mulheres grávidas e para as mães com criancinhas”. Citando o historiador Josefo sobre Jerusalém cercada pelo exército romano sob o comando de Tito, o livro conta: “Começaram a ficar sem comida. Comiam esterco de vaca, couro, capim seco e sapatos. Uma rica mulher ficou tão desvairada que matou e assou o próprio filho”.

Falta-nos um profeta, uma voz que nos acorde e nos faça dar meia-volta.  

















      

terça-feira, 30 de junho de 2015

Se quiser me prender, prenda!

Você que ficou tão emocionado com a aprovação do casamento gay nos EUA e vê como um avanço em nossa boa vontade as paradas do “arco-íris”, peço que leia essas declarações que estudamos hoje à noite no encontro Católicos:

“O livro Dialética do Sexo (1970), de Shulamith Firestone (1945-2012) - sintetizando as ideias de Freud, Marx, Engels e Simone de Beauvouir - analisou profundamente o ideal de uma revolução sexual, demonstrando como ela seria o único detonador possível de uma autêntica revolução social e econômica.
1) é essencial a libertação das mulheres da tirania de sua biologia reprodutiva por todos os meios disponíveis. Libertar as mulheres de sua biologia significa ameaçar a unidade social, que está organizada em torno da sua reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico, a família.
2) a total autodeterminação, incluindo a independência econômica, tanto das mulheres quanto das crianças. Com isso queremos atacar a família em uma frente dupla, contestando aquilo em torno de que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres, e a dependência física das crianças aos pais e educadores. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia do poder.
3) A total integração das mulheres e das crianças em todos os níveis da sociedade. Todas aquelas instituições que segregam os sexos ou separam as crianças da sociedade adulta, por exemplo, a escola elementar, devem ser destruídas. Assim, com as distinções culturais entre homens e mulheres e entre adultos e crianças sendo destruídas, nós não precisaremos mais da repressão sexual que mantém estas classes diferenciadas, sendo pela primeira vez possível a liberdade sexual “natural”. 
4) liberdade sexual para que todas as mulheres e crianças possam usar a sua sexualidade como quiserem. Em nossa nova sociedade a humanidade poderá finalmente voltar à sua sexualidade natural “polimorfamente diversa”. Serão permitidas e satisfeitas todas as formas de sexualidade. A mente plenamente sexuada tornar-se-ia universal”.

Então, quando você aplaudir a parada gay, por favor, não pense que isso é um adiantamento para a raça humana, será o nosso fim, mano.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Não terão condescendência com ninguém.

Volta a ser importante um cristão conhecer a cultura e as intenções dos árabes, o Islã. Assim, fiquei interessado no livro que o amigo Olímpio me emprestou, O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hosseini. Na p 81 um personagem que é motorista de um casal rico, conversando com a patroa no carro, conta como é a vida em sua aldeia. Aqui ele fala do mulá, o padre ou pastor de seu povoado:
“ - Nosso mulá nos ensinou que se olharmos a palma de nossa mão, qualquer muçulmano, não importa de que lugar do mundo, vai ver algo espantoso. As linhas formam os algarismos árabes 81 e na outra mão os mesmos invertidos 18. Se subtrairmos dezoito e oitenta e um, o que obtemos? Sessenta e três a idade em que o Profeta morreu.
A mulher deu um riso abafado no banco traseiro.
-Mas um dia um visitante a nossa aldeia foi visitar o mulá que lhe contou a mesma história. Mas o homem, disse: ‘Mulá Shekib, com todo respeito, um dia comparei minha mão com a de um amigo judeu e as linhas eram as mesmas. Como o senhor explica isso?’ Ele respondeu: ‘Ora, então esse judeu tinha um coração muçulmano!’
A súbita gargalhada de minha patroa me encantou”.
- O que esta história ensina, professor Zé?
(na foto morro em forma de pirâmide, serra da Mantiqueira, num lindo pedal à Bocaina de Minas)

Primeiro, que os árabes não toleram que cristãos ou judeus brinquem com suas crenças, mas eles mesmos, entre si, acham humor no fanatismo deles.
Segundo, é que eles não odeiam quem não pertence ao Islã, mas que acham fundamental que todos se convertam a fé.

Terceiro, os muçulmanos que querem poder não terão condescendência com ninguém. 


















segunda-feira, 22 de junho de 2015

Diga-me com sinceridade: o mundo está ficando preocupante, para você?

       Acabei de vir de um estudo em um grupo católico, hoje discutimos a Ideologia do Gênero:
Difunde-se cada vez mais a chamada ideologia do gênero ou gender. Porém, nem todas as pessoas disso se apercebem e muitos desconhecem o seu alcance social e cultural. Ela já foi qualificada como verdadeira revolução antropológica. Não se trata apenas de uma simples moda intelectual. Diz respeito antes a um movimento cultural forte com reflexos na compreensão da família, na esfera política e legislativa, no ensino, na comunicação social e na própria linguagem corrente. Esta teoria parte da distinção entre sexo e gênero, forçando a oposição entre natureza e cultura. O sexo assinala a condição natural e biológica da diferença física entre homem e mulher. O gênero baliza a construção histórico-cultural da identidade masculina e feminina. Para entender melhor veja esta célebre frase de Simone de Beauvoir, ‘uma mulher não nasce mulher, torna-se mulher’, a ideologia do gênero considera que somos homens ou mulheres não na base da dimensão biológica em que nascemos, mas nos tornamos tais de acordo com o processo de socialização (da interiorização dos comportamentos, funções e papéis que a sociedade e cultura nos distribui). Papéis que, para esta teoria, são injustos e artificiais. Por conseguinte, o gênero deve sobrepor-se ao sexo e a cultura deve impor-se à natureza”.

Numa entrevista no GloboNews um estudioso do assunto e defensor dessa Ideologia, disse: “É um absurdo quando uma mãe cola uma fita na cabeça da neném que nem cabelo tem. Às crianças não são dadas a oportunidade de escolher quem querem ser, menino ou menina”.

Torno a perguntar: Você não fica preocupado com esta Ideologia, não?