sexta-feira, 16 de julho de 2010

O prazer de não ter sofrimentos


Ontem falava à um devoto evangélico que o filósofo Epicuro preparou a humanidade para as coisas sábias e humanas que o mestre Jesus ensinou. Ele ficou ofendido, nada que não está na Bíblia poderia ter relação com Jesus. Mas em Atos dos Apóstolos (17:18) fala dos discípulos deste mestre grego: "Alguns professores epicureus e alguns estóicos discutiam com ele (Paulo)". Agora veja algumas coisas que ele ensinou.
"Não pode afastar o temor que importa para aquilo a que damos maior importância quem não saiba qual é a natureza do universo e tenha a preocupação das fábulas míticas. Por isso não se podem gozar prazeres puros sem a ciência da natureza".
Epicuro pensou e escreveu isto há 2.300 anos, e já revelava a importância do conhecimento geral, científico, para se progredir sem os entraves dos dogmas religiosos.
"Realmente não concordam com a bem-aventurança preocupações, cuidados e iras. O ser bem-aventurado e imortal não tem incômodos nem os produz aos outros, nem é possuído de iras ou de bajulações, pois é no fraco que se encontra qualquer coisa de natureza semelhante".
Aqui ele ensina a sermos pacíficos para com todos os homens.
"É insensato aquele que diz temer a morte, não porque ela o aflija quando sobrevier, mas porque o aflige o prevê-la: o que não nos perturba quando está presente inutilmente nos perturba também enquanto o esperamos".
Ele e os outros filósofos epicuristas anteciparam o que o mestre Jesus veio nos ensinar: não se preocupe com o dia de amanhã.
"Há também mundos infinitos, ou semelhantes a este ou diferentes. Com efeito, sendo os átomos infinitos em número, como já se demonstrou, são levados aos espaços mais distantes. Realmente, tais átomos, dos quais pode surgir ou formar-se um mundo, não se esgotam nem em um nem num número limitado de mundos, quer sejam semelhantes quer sejam diversos destes. Por isso nada impede a infinidade dos mundos".
Já neste pensamento ele parece estar falando de física quântica.
"Quando dizemos, então, que o prazer é fim, não queremos referir-nos aos prazeres dos intemperantes ou aos produzidos pela sensualidade, como crêem certos ignorantes, que se encontram em desacordo conosco ou não nos compreendem, mas ao prazer de nos acharmos livres de sofrimentos do corpo e de perturbações da alma".
Os epicuristas eram mal interpretados por ensinar que o esforço maior do ser humano devia ser ter prazer, mas referiam-se, não aos prazeres da intemperança, que produzem resultados nefástos, mas aos prazeres de se viver com tranquilidade. Um exemplo de prazer é o fim de uma dor.
"A imediata desaparição de uma grande dor é o que produz insuperável alegria: esta é a essência do bem, se o entendemos direito. Do mesmo modo, cada dor é um mal, mas nem sempre se deve evitá-las. Antes, pomos de lado muitos prazeres quando, como resultado deles, sofremos maiores pesares; e igualmente preferimos muitas dores aos prazeres quando, depois de longamente havermos suportado as dores, gozamos de prazeres maiores. Convém, então, valorizar todas as coisas de acordo com a medida e o critério dos benefícios e dos prejuízos, pois que, segundo as ocasiões, o bem nos produz o mal e, em troca, o mal, o bem".
Que pena aqueles que colocando em si uma viseira, como aos cavalos, não conhecem o que outros homens iluminados nos ensinaram.

Um comentário:

cunhado disse...

Concordo com os epicuristas.O prazer nao existiria se nao fosse a dor,e o que seria da luz sem a escuridao.Temos é que saber como aceita-la.
Assim como a morte,a dor um dia fara parte de nossa vida.
Mas isso me lembra que as vezes prefiro ter pesadelos a sonhos bons,porque quando acordo vejo que tudo nao passava de um pesadelo.Que alivio ou Que felicidade!
Abraço
Ricardo.